Exercise Science

O MITO dos efeitos do treino da força nos corredores

Quando se aborda a questão do treino da força naqueles que gostam de correr, parece haver a ideia de que realizar este tipo de treino os deixará mais pesados e como consequência mais lentos, mas será mesmo assim?

Para se atingir um patamar superior em termos de endurance não basta ter apenas um VO2máximo elevado, mas também um conjunto de factores directamente relacionados com a economia de corrida, que talvez seja a variável que distingue com maior impacto os atletas amadores dos de elite (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24561819).

Um estudo de Beattie el al (2016), diz nos que a melhoria da performance desportiva dos atletas em questão ocorreu sem alteração no VO2máximo, desta forma parece que o desenvolvimento foram resultado de adaptações neuromusculares, ou seja, atletas de endurance não dependem exclusivamente do consumo, transporte e utilização de oxigênio, mas também em aspectos relacionados com a capacidade de produção de força neuromuscular (https://www.researchgate.net/…/260212516_The_Effect_of_Stre…)

Por outro lado o treino da força não parece optimizar apenas a performance dos atletas, como também diminui o risco de lesões do foro músculo-esquelético (https://bjsm.bmj.com/content/48/11/871).

Blagrove, Howatson & Hayes (2017), realizaram uma revisão sistemática de literatura, a mesma teve como objetivo fornecer um comentário crítico abrangente sobre a literatura actual que examinou os efeitos do treino da força sobre os determinantes fisiológicos e desempenho dos corredores de média e longa distância, e oferecer recomendações para as melhores práticas.

A economia de corrida foi medida em 20 dos estudos e geralmente mostrou melhorias (2-8%) em comparação com um grupo controlo, embora isso nem sempre fosse o caso. O desempenho no contra-relógio, nas distâncias de 1,5 a 10 km e as qualidades de velocidade anaeróbia também tenderam a melhorar após o treino da força.

O acréscimo de duas a três sessões por semana do treino da força, provavelmente trará benefícios para o desempenho de corredores de meia e longa distância. (https://link.springer.com/artic…/10.1007%2Fs40279-017-0835-7)

Não faz sentido, com base em tantas evidências científicas, não incluir o treino da força no planeamento do atleta.

Bom treino
Mário Sá

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